quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Pedro Bernardo - Ultimo estágio de 2012



O ano de 2012 foi um ano excelente para os estágios da Espiral. Tivemos uma média de 100% de dias voados nos 21 dias de estágios.

Pedro Bernardo revelou-se uma boa troca para o local de realização do estágio que estava programado para Algodonales.

O grupo prometia bons voos já que a larga maioria vinha de estágios anteriores com um progresso notável em voo térmico.


O primeiro dia tinha como previsão vento fraco e tecto nos 2000. Descolamos da descolagem leste pelas 11h para retirar o stress ao pessoal com o primeiro voo. As condições surpreenderam pela positiva e os pilotos andaram a enrolar térmicas durante cerca de 1 hora já com consistência. O João Silva revelou logo a sua grande forma e subiu aos 2100 antes das 12h! Como o objectivo era que 9 pilotos treinassem o voo de distância reunimos as tropas e subimos para a descolagem sul para o almoço.

No segundo voo as térmicas estavam excelentes mas não se subiu acima dos 1790 devido a uma inversão forte. A distância planeada no solo começou a ser feita pelo Alex, Bomba, David Felix e Almir. O Bomba revelou uma capacidade de decisão invulgar para alguém que ia fazer a sua 2ª distância na vida! Todos seguiram em direcção a leste relativamente baixos (1300 a 1500). Para fechar o grupo o Ricardo Diniz levou os mais atrasados. O Adalberto ainda se deu ao luxo de voltar para trás porque não achava que estivesse muito alto! Aterrou quase na oficial quando podia continuar...lição a aprender... Os outros fizeram cerca de 10km com vários sorrisos na cara pelas primeiras distâncias.



Para terminar o dia em beleza fomos fazer o voo o da restituição da descolagem Oeste completando assim um belo dia em que se voou nas 3 descolagens.

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No segundo dia já com a companhia do Pedro Rodrigues e do Lérias decidimos esperar para todos descolarem com térmica mais forte e por isso optámos pela descolagem sul. A espera foi bem sucedida já que quando descolamos as térmicas estavam bem consistentes mas muito espaçadas. O Lérias e o Pedro Rodrigues andaram mais de 20 minutos abaixo da descolagem sul a tentarem sobreviver. Com muito esforço o Pedro subiu até cerca dos 1600 e o Lérias acabou por aterrar após uma grande luta. Os restantes descolaram e andaram a sobreviver durante imenso tempo. Finalmente o Bomba mostrou como se derivava e a malta toda subiu na crista. Como o vento tinha uma tendência SE nas camadas inferiores e SW acima dos 1500 a distância foi feita para Oeste. Quase todos fizeram um ataque à crista acima de Lanzahita e foram aterrando ao longo da estrada. O Pedro voltou à descolagem (bom trabalho) e aterrou para irmos fazer o voo da restituição.



O voo do fim do dia foi muito bom com todos a andarem a passear no vale acima de Pedro Bernardo. As restituições estiveram sempre muito boas.


O terceiro dia do estágio previa vento forte de Oeste. Subimos cedo para a descolagem Oeste e voámos com pouca térmica logo pelas 11h. Depois a prova da Liga Centro de Espanha marcou uma manga curta.


Com rajadas de vento a atingirem os 35 kmh os nossos pilotos mais experientes decidiram que era vento a mais e não quiseram fazer o voo de distância. Após uma bela caminhada e um banho (para os menos friorentos...) na cascata fomos fazer o melhor voo de restituição que já tínhamos feito nestes anos todos! Andámos a passear por todas as cristas com um tecto bastante generoso e com o vale a manter uma "almofada" de ar!


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 Para terminar em beleza as previsões para o ultimo dia eram de vento zero. Tudo prometia que se iria fazer um voo de distância mas a inversão matou as esperanças...Tivemos um dia muito trabalhoso em que as térmicas eram muito fracas e era preciso lutar para se manter no ar. Foi, na perspectiva da instrução, o melhor voo do estágio dado que os pilotos tiveram de se aplicar a fundo para não marrecarem. Todos sobreviveram e suaram durante mais de 2 horas! Muito bom nível geral.

 

Quando estávamos prontos para arrancar para casa o pessoal ainda quis ir voar pela última vez e siga de novo para cima para fechar em beleza o estágio com um voo descontraído e térmicas suaves.


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Foram 4 dias muito bem passados, com toda a malta a divertir-se e a somar muitas horas de voo.












sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Estágio nos Pirinéus




O plano deste estágio era visitar diversos locais de voo com características distintas e com condições de voo diversas, por forma a treinar mentalmente os participantes e a melhorar a capacidade de análise em ambientes diferentes.

Com alguma ajuda da parte da meteorologia e uma boa análise das previsões conseguimos realizar tudo o que estava previsto e voar 9 dias em 9 dias possíveis.


Piedrahita 


As condições estavam boas e, após o habitual voo da manhã para tirar o stress, andámos a passear no vale entre Barco de Ávila e Villatoro. O tecto estava nos 2700 metros e as térmicas bem consistentes.  Ainda se colocou a hipóteses de seguir até Ávila mas com o vento com uma componente meio leste a viagem seria muito difícil. O final do dia com bastante vento fez-nos esperar mas brindou-nos com uma restituição 5 estrelas.



 


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No segundo dia só fizemos o voo da manhã porque seguimos para os Pirinéus. Deu para subir na encosta e no vale (com direito a alguns top-landings para treinar) e depois seguimos viagem. As condições prometiam um voo de distância nesse dia. Resta dizer que durante a noite tivemos direito a um concerto que durou até às 5h da madrugada (tanto na 1ª como na 2ª noite) e andávamos todos a dormir em pé!


 



Organya




Como habitualmente Organya não nos desiludiu.

Fomos experimentar uma nova descolagem com 700 metros de desnível tendo como guia os instrutores da escola local. Excelente descolagem e aterragem com possibilidade de transição para a descolagem habitual.

No voo da tarde já na descolagem habitual tivemos condições fáceis, com térmicas largas e suaves. Todos a subirem à borla e a poderem fazer piscinas de ida ao volta ao vale. O Hugo tentou umas 20 vezes ir até a uma capela que tem uma transição difícil e à 21ª lá conseguiu…ao passar para a crista em frente apanhou um “canhão” em que subiu num baloiço até à nuvem… Para terminar o dia a brisa marítima decidiu entrar com força pelo fundo do vale (fenómeno raro neste local) e aterrámos todos de acelerador a fundo e orelhas com alguns a andar para trás. Boa experiência de treino. 

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No segundo dia em Organya o tecto esteve quase nos 3000 e deu para andar a passear por todo o vale e pelas cristas com boas transições e térmicas largas e suaves. Melhor impossível.
Todo o show habitual dos acrobatas deu para ver em voo todas as manobras feitas pelos melhores na nossa modalidade e ainda ver dois reservas numas manobras que correram mal…

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Castejon de Sos




O local de voo com maior desnível do nosso tour…1400 metros!




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O primeiro voo correu melhor do que o planeado. Térmica consistente logo às 11h. Andámos a passear pelas cristas desde Benasque até ao vale à esquerda da descolagem de Liri. Na aterragem tivemos direito a indicações do nosso controlador aéreo de serviço (Gaudêncio) que chegou a confundir alguns pilotos que temeram ter mudado de frequência e terem entrado na aproximação do aeroporto de Barcelona!! 

As condições meteorológicas foram-se deteriorando com cumulonimbus a preencherem o vale e o segundo voo só permitiu andar pelo meio do vale (onde se subia demasiado à borla…) de forma a mantermos uma distância de segurança. O tipo de condições exigiu uma atenção redobrada dos instrutores ao evoluir das condições e permitiu aos pilotos treinarem manobras de descida rápida que aplicadas na altura certa demonstraram que os objectivos elevados exigidos aos participantes estavam a ser alcançados.  

O segundo dia foi de apenas um voo dado que os CB´s ameaçavam...deu para o convívio e uma bela almoçarada! 
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Ager

Com uma parede de voo fantástica e umas aterragens excelentes o local de voo não decepcionou ninguém. 


O Open Nórdico serviu para facilitar a vida aos nossos pilotos e dificultar a vida aos instrutores! As térmicas estavam marcadas pela presença de mais de 100 pilotos e por isso ninguém marrecou. A previsão do dia era de formações verticais e por isso a manga abriu cedo. Todos os nossos pilotos andaram a enrolar no meio da molhada chegando a mais de 90 pilotos numa térmica (a juntar a um tecto baixo que existia nesse dia). Quando já todos iam a fazer a prova, após a primeira baliza, a manga foi cancelada devido à aproximação de um CB, e foi bonito de ver cerca de 120 pilotos de orelhas e a fazer espiral ao mesmo tempo. Todos aterraram bem para um belo almoço… Com más previsões para o dia seguinte rumámos a Pedro Bernardo para maximizar os dias de voo (decisão que se revelou muito correcta).

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Pedro Bernardo



Para terminar o estágio tivemos direito a dois dias de condições muito diferentes. No primeiro dia tivemos condições exigentes com térmicas fracas e muito junto à encosta. Notou-se a facilidade com que os pilotos conseguiram subir em condições exigentes (fruto do trabalho que vinham a realizar ao longo do estágio). O Teotónio mostrou como se fazia e todos os outros o seguiram… O tecto baixo não permitiu voos de distância mas permitiu um bom treino de enrolar com direito a voo de sobrevivência e grandes recuperações de alguns.

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No segundo dia as condições eram excelentes para o voo de distância. O Carlos Lopes e o Vitor abriram as hostilidades e todos seguiram para o ar. Com algum vento e um tecto na casa dos 3000 metros as condições permitiam fazer grandes distâncias. O grupo saiu todo sensivelmente ao mesmo tempo impulsionado pela saída estratégica (previamente combinada) dos instrutores. Com as habituais dificuldades do voo em distância tivemos quase todos os participantes a fazerem um bom voo. O Carlos fez o melhor voo com cerca de 80 km (podia ter feito uma marca bem maior não fosse o cansaço de quase 5 horas e 9 dias a voar e o facto de a distância estar a ser feita no sentido contrário ao de casa…), o Hugo 50km e os restantes pelo caminho com várias distâncias. De realçar o Teotónio que fez o seu primeiro voo de distância. Foi a cereja em cima do bolo.

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Os objectivos do estágio foram largamente ultrapassados dado que voámos em condições diferentes, experimentámos 10 descolagens diferentes e fizemos todo o tipo de voo que o nosso desporto enfrenta. O nível de pilotagem evoluiu imenso e os bons momentos vividos serão certamente recordados. A descrição tem obrigatoriamente de ser curta e as referências aos pilotos pontuais sendo que todos voaram melhor nuns dias que noutros como é normal no nosso desporto…

terça-feira, 12 de junho de 2012


Algonales Junho 2012




O primeiro estágio de 2012 da Espiral - Escola de Voo realizou-se em Algodonales. Embora o calendário estivesse programado para Piedrahita ou Pedro Bernardo decidimos (como sempre) que vamos para onde as previsões forem melhores. Como o objectivo dos estágios é colocar todos a voarem o máximo possível todos os dias o local a escolher tem de servir para que todos possam voar independentemente da experiência.

Após uma viagem em que o Pajaro queria por força ver até onde é possível conduzir sem combustível (o mostrador do carro chegou a mostrar uma autonomia de ZERO km....) lá chegámos à pousada.

No primeiro dia as previsões apontavam para vento forte mas como a nossa experiência nos aconselhava toda a gente madrugou e foi recompensada. Fizemos os primeiros voos de habituação. As térmicas eram já bastante consistentes (estamos em Junho) e foi possível os mais experientes enrolarem bem e subirem ao tecto (cerca de 1300 metros).  Os maçaricos começaram a fazer as suas primeiras enroladelas ainda meio a apalpar terreno.

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Da parte da tarde o vento ficou fora dos limites e aproveitámos para fazer uma siesta...


Ao final do dia 3 pilotos mais experientes andaram a boiar no vale Oeste mas o vento esteve demasiado forte para os restantes poderem descolar.

No segundo dia as condições melhoraram e de manhã todos andaram a subir de borla na descolagem Oeste. Raras vezes tenho visto condições tão boas a uma hora tão matutina. Parecia restituição. Todos voaram cerca de 2 horas em térmica suave e bem consistente. Os cirros ajudaram a manter o calor baixo e o vento fraco.

Seguimos para El Bosque para experimentar uma alternativa diferente. O local é muito bom, com duas descolagens. Uma parede bem definida a Oeste e um vale aberto com imensas aterragens. As condições eram fortes. Fomos para o ar (Carlos Lopes, Pedro Rodrigues, Gaudêncio, João Silva e Ricardo Diniz).


As térmicas eram muito fortes (+6 a +9...) e o vento forte. Subia-se por todo lado e algumas vezes até demais... Na minha descolagem apanhei um canhão de +7 que me levou na vertical durante 700 metros sem enrolar e durante esta subida só avancei 50 metros...até doeu :) O João Silva fez um voo incrível com condições muito duras. Está com um excelente nível de voo. Após umas cervejolas para aliviar o calor lá subimos para fazer a restituição.


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Todos voaram (com alguns a marrecarem...). A restituição estava técnica e era preciso enrolar a "lamber" a encosta. O Sérgio Lemos aplicou-se a fundo e, após algumas indicações, lá entendeu a térmica e fez um belo voo. Para terminar uma bela jantarada em Algodonales.

Terceiro dia...
O melhor dia nas previsões e não desapontou. Começou com o Alex a fazer como sempre um mapeamento das térmicas. Grande resistência e boa técnica como sempre.


Infelizmente apanhou um frontal tão grande que sujou a roupa interior...para nosso espanto quando foi trocar de roupa vimos que os gostos já foram melhores...a idade não perdoa!!


O David Feliz fez um brilharete e enrolou sozinho a sua primeira térmica (sem vário) até ao tecto. Deixou todos de boca aberta! Depois todos os maçaricos andaram a enrolar bem. Alguns pareciam já prós a enrolar o que deixou a malta bem impressionada. Não vale a pena referir os nomes dado que no geral todos surpreenderam.



Após a recolha do primeiro voo traçamos o destino do dia para os voos de distância - Ronda. O Carlos e o Pedro Rodrigues saíram e subiram logo. Saíram para os Dos Hermanos e lá ficaram a lamber a pedra como sempre... Entretanto o Adalberto, João Silva, António e Sérgio andavam a sofrer para subir. O João e o Adalberto marrecaram e os outros 2 seguiram viagem. Após muita luta tivemos o Pedro a passar Ronda, o Carlos às portas de Ronda, o António nos Hermanos e o Sérgio um pouco antes.

Para terminar o dia mais uma restituição no lado Oeste com todos a subirem à borla...Na aterragem era só sorrisos...

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Para terminar o estágio o quarto dia foi a cereja no cimo do bolo! Descolamos às 11h e colocámos todos os maçaricos ao mesmo tempo no ar. Resultado: estiveram 12 pilotos (8 maçaricos...) a enrolar ao mesmo tempo em diversas térmicas durante mais de uma hora. A evolução foi notável e conseguimos ver como a confiança estava em alta com vários pilotos a experimentarem diferentes estratégias de voo. Mais de duas horas com excelentes condições.


Grande estágio, excelente convívio (que não descrevi porque só os voos já ocupam muito...) e muitos bons momentos!

Para terminar...o Ricardo Diniz também não está a voar nada mal...:)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Algodonales - Outubro 2011







O último estágio da Espiral de 2011 decorreu em Algodonales no sul de Espanha. 
 
O grupo de 17 pessoas prometia pela diversidade e pela variedade de níveis e de expectativas.


O primeiro dia tivemos vento forte e só as deltas conseguiam voar. Aproveitámos para umas aulas teóricas sobre competição, técnicas de voo e utilização dos instrumentos que veio a revelar-se bastante útil nos dias seguintes. Ao final do dia o vento baixou e todos conseguiram fazer uma bela restituição no lado sul até já não termos luz. O Bomba e o Almir enrolaram as suas primeiras térmicas no meio de mais de 50 pilotos e aterraram de sorriso nos lábios (o Almir fazia comentários estranhos que o Adalberto o tinha enganado...muito estranho...afinal a asa não fechava a cada segundo...). O Leonel, o Sérgio e o João iniciaram-se no treino das espirais. O medo abundava mas com a instrução tudo correu bem. Após o voo a desidratação era grande...



No segundo dia as condições estavam excelentes e todos acordaram cedinho como é habitual nos nossos estágios com direito a despertador humano de boa disposição. Ao carregarmos as asas nos carros o Miguel reparou que tinha deixado a asa na descolagem no dia anterior! Passamos o resto do dia a procurar a toda a gente pela asa mas nada. Para melhorar o António deixou cair o rádio em voo...

 
(O Miguel a pensar "Onde é que andará a minha asinha...Chuif...)

O voo da manhã deu direito a treinar térmicas pequenas e suaves. A maioria sobreviveu e treinou algum tempo no ar mas só o mais experientes conseguiram subir. O Vitor mostrou como se enrola e o resto da malta esforçou-se bem. O Almir enrolou tanto que perdeu o pequeno almoço que tinha comido no ar...
O tecto esteve aos 2500 metros e o Carlos foi passear com o Sérgio até aos Dos Hermanos. O António andou a visitar Zahara e voltou à aterragem num belo voo que o deixou a contar a mesma história a todos durante o resto da viagem...! 
O resto do dia foi o habitual neste fantástico local com todos a voarem o tempo que quiseram na descolagem oeste. O Tomás andou a seguir o Lérias e enrolou umas belas térmicas.



No terceiro dia o plano era todos os mais experientes fazerem distância até Ronda. De manhã esteve algum vento de Leste e tivemos de esperar que o sol fizesse o vento rodar. A experiência e o conhecimento do local revelaram-se cruciais dado que os restantes pilotos foram a pé para a descolagem leste e nós ficámos à espera que o vento caísse na descolagem Sul. Mal o vento começou a cair demos ordens para os mais experientes descolaram. O Carlos subiu em flecha até à nuvem, seguido pelo Pedro, António, Lérias e Alex. Os restantes não descolaram porque a rotação do vento foi rapidíssima e os dust devils entraram com uma violência impressionante. A distância não foi cumprida dado que o os Dos Hermanos não estavam a funcionar como habitualmente e todos aterraram lá após uma luta de mais de 2 horas a esperar a térmica nas rochas. Muita persistência do Pedro e do Carlos que partilham as mesmas características de voo...teimosos que nem um burro! Eh, eh.


Seguimos para a descolagem NW e o Leonel. o Sérgio, o Pina e eu fomos até à nuvem. Saímos em distância ( a primeira do Leonel - após grande incentivo meu porque cada vez que vira costas ao vento só quer subir...) por cima da barragem e fomos ter com os nossos amigos que nos trouxeram de volta com uma recolha de carrinha cheia...
O Homem das Árvores que já tinha mudado de alcunha 3 vezes só neste estágio passou a chamar-se homem das nuvens porque subiu aos 2150 metros e ficou um bocado branco...Ninguém o conseguia calar no rádio (e no chão depois...) de tão feliz. Gostei de ver.

O final da tarde trouxe uma óptima surpresa. A asa do Miguel apareceu devolvida por um parapentista! Grande alivio e um belo voo do Miguel para fazer as pazes com a asa...



No último dia o vento forte não permitiu que houvesse voos o que tornou a viagem de regresso menos cansativa. Encontrámos o rádio perdido após uma busca intensa no meio do mato e de uma reza providencial ao Santo António.
Claro que neste pequeno relato faltam os muitos litros de cerveja, as muitas horas de pessoal a ressonar, os ossos e baldes metidos dentro dos sacos das asas sem os donos saberem (alguns só descobriram já em Portugal...), os jantares com as nossas amigas muito simpáticas do restaurante e os muitos bons momentos de convívio...


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Eslovénia





A ideia de poder ir voar à Eslovénia era um plano que já existia há muito tempo na minha cabeça. A oportunidade veio com o convite de um amigo para participar numa prova chamada Serial Cup. A juntar a esta ideia tentadora a prova teria palestras de pilotos com experiências variadas desde recordistas do mundo de voo em distância, a escritores de livros sobre parapente, passando por novos pilotos do PWC. Não houve dúvidas...

Na altura em que a prova foi anunciada era uma novidade dado que apenas iriam participar asas homologadas. Os acontecimentos em Piedrahita vieram ditar que afinal todas as provas virão a ser assim.


O ponto de encontro foi marcado para Veneza e, após algumas peripécias, lá conseguimos conduzir até ao nosso belo apartamento em Gabrje perto de Tolmin.

No primeiro dia subimos para a descolagem no nosso carro e descobrimos que tínhamos de pagar 8€ para podermos descolar. Apesar de caro a descolagem e os acessos são muito bons e o voo foi compensador do dinheiro gasto.

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O Matias ofereceu-se como condutor e os restantes fizeram a estreia do local com um pequeno voo de distância pelo vale até Kobarid. Deu para perceber as térmicas residentes e para apreciar as diferentes arestas. As aterragens são inúmeras e existem diversas aterragens oficiais onde se consegue aterrar de avião...






Para terminar o dia subimos até à descolagem acima de Kobarid por um caminho horroroso em que o carro quase não resistiu. Com um desnível de 1000 metros fizemos uma marreca de 18 minutos.

No segundo dia as nuvens e a chuva fizeram-nos rumar a Lubliana para uma visita cultural. A cidade é fantástica com uma vida nocturna muito animada. A cidade tem edifícios muito cuidados e vale a pena uma visita.








No terceiro dia (1º dia de competição) o vento forte não permitiu que houvesse manga. Aproveitámos para fazer umas caminhadas. Por todo o vale existem trilhos fantásticos e para todos os níveis. Visitámos dois deles de curta duração. Ainda nos aventurámos a explorar uma caverna mas íamos ficando lá dentro. O Araujo deixou-nos neste dia para ir trabalhar (onde é que já se viu deixar de ir voar para ir trabalhar...enfim).





Por esta altura as saudades das mulheres já faziam com que o pessoal começasse a achar que a companhia estava a ficar mais bonita...desespero!



Na primeira manga mudámos de local e fomos descolar a Stohl. A manga consistia em andar a fazer zig-zags pela encosta fora e umas idas ao vale para picar as balizas. Com 80 pilotos em prova a encosta ficou super-povoada de pilotos e o difícil era marrecar. Todos os portugueses voaram bem mas fomos muito lentos dado que o nosso tipo de voo em competição é mais de sobrevivência. Enrolámos demais e perdemos demasiado tempo. Chegaram ao golo o Nunes e eu, o Pedro ficou a 200 metros e o António ficou perto. O Carlos atrasou-se de levar o Araujo a Veneza e não conseguiu transporte para cima.

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Aprendemos uma lição que fomos pondo em prática ao longo da semana. Não vale a pena enrolar e subir muito neste tipo de encostas, é ir de acelerador e andar rápido. Tudo o que está ao sol bomba. Eu não fiz o start devido a um erro do meu GPS que aprendi a duras penas a compensar nas mangas seguintes. Mais uma lição a aprender: não testar aparelhos em prova - fazer provas em casa primeiro.


A segunda manga foi feita de Kobala e andámos a passear por todo o vale. Eu e o Nunes apostámos em voar mais rápido e correu bem até as nuvens cobrirem todo o vale a manga ser parada devido a uma trovoada. O Pedro estava a chegar ao golo quando pararam.



Nos dois dias seguintes voámos de local devido aos tectos baixos e fomos mais para sul para Lijak. Um local muito bom de escola. Uma encostas com mais de 20 km que tem ao lado duas outras encostas para onde é possivel transitar. Aterragens a perder de vista.
Uma das mangas foi cancelada connosco em voo porque começou a chover. Os eslovenos não se impressionam facilmente com CB´s! Nós nunca abriríamos mangas com tantas nuvens no céu e com tão mau aspecto (eu próprio me questionei o que andava a fazer a voar com aqueles monstros no céu...) mas a qualidade e o detalhe do organizador encarregue da meteo era fantástica o que nos deu muita segurança. Nesse dia foram cerca de 70 pilotos a voar de orelhas a chover...



No ultimo dia em Liak a manga era de 100km e foi um fantástico dia de voo. O voo consistia em fazer algumas balizas ao longo da primeira encosta e depois transitar para uma segunda encosta distante uns 10km com um vale aberto pelo meio. Na parte final tínhamos uma baliza que exigia um planeio de cerca de 14 km com vento de frente. Fizemos bem toda a primeira parte da manga com boas transições. Foi engraçado ver o Nunes sempre a acelerar para acompanhar o resto da malta sem perder tempo a enrolar porque tinha saído baixo do start. Ainda vi um reserva de um piloto que saiu de uma nuvem com uma gravata. Após a última baliza em que subimos à nuvem o planeio final parecia coisa fácil porque íamos a subir numa linha de convergência...excesso de confiança! Apanhámos vento de frente no vale e o resultado foi ficarmos a 700 metros da ultima baliza e a 1,7 km do golo. Mas foi uma excelente manga.



Para terminar em beleza no ultimo dia tivemos excelentes condições. Uma manga de 60k com idas às cristas mais altas. O start foi feito com uma espera de 15 minutos a surfar nuvens junto com os top-pilots por mim e pelo Carlos. Uma paisagem lunar com um refugio de montanha ao nosso lado e no topo de uma crista vertical com mais de 1200 metros. Parti em 4º lugar mas depressa abrandei na barra do acelerador porque a ideia era aproveitar as férias e a falta de idas ao ginásio não permitem andar 2 horas acelerado...





Umas férias fantásticas com excelentes voos. Recomenda-se o local, as pessoas, o turismo e os locais de voo.




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